Connecting the Dots: 5 tendências de marketing para 2026
30 de janeiro de 2026
Será que a sua estratégia de marketing para 2026 está considerando apenas as tendências mais óbvias e deixando passar alguma coisa que pode mudar o jogo nos próximos meses? É esse o principal alerta do relatório Connecting the Dots 2026, da GWI, que reuniu mais de 2 milhões de respostas anuais, além de estudos originais com consumidores e profissionais de marketing, para identificar cinco tendências menos evidentes que podem fazer diferença no desempenho das marcas neste ano.
1. A IA está transformando o marketing — e empobrecendo os insights
Entre os anunciantes e profissionais de marketing entrevistados pelo GWI recentemente nos EUA, 84% utilizam IA profissionalmente. O ChatGPT lidera com folga, seguido de perto por Gemini e Copilot. Essas ferramentas já são o terceiro insumo mais usado na tomada de decisão, superando fontes tradicionais como white papers e social listening.
O problema é que a qualidade dos insights em geral – não apenas os que vêm da IA – depende da qualidade dos dados utilizados. E, segundo a GWI, a maior parte das ferramentas de IA ainda utiliza apenas informações disponíveis na web aberta, que frequentemente são antigas, enviesadas, pouco segmentadas e fora de contexto. Tudo isso acaba favorecendo análises genéricas e previsíveis, sem vantagem competitiva.
De acordo com o relatório, a virada para 2026 passa por conectar a IA a bases estruturadas e confiáveis de dados de consumo, usando a tecnologia para acelerar análises enquanto o fator humano entra com interpretação, senso crítico e leitura de tensões comportamentais.
2. Consumidores dizem uma coisa e fazem outra — e aí está a oportunidade
O descompasso entre discurso e comportamento do consumidor é central no estudo. Pessoas afirmam se preocupar com sustentabilidade, privacidade ou planejamento financeiro, por exemplo, mas agem de forma contraditória no dia a dia. É justamente aí que surgem oportunidades para marcas.
A GWI mostra que a IA permite identificar esses paradoxos com rapidez, revelando que o chamado “impulso” raramente é um ato aleatório. Em muitos casos, trata-se da ativação de um desejo latente, construído ao longo do tempo, inclusive em categorias de alto valor como tecnologia e viagens.
Para 2026, a recomendação é abandonar a visão rígida entre compra planejada e impulsiva. A decisão acontece quando a intenção atinge um ponto de confiança, influenciado por contexto, prova social e timing. Marcas que constroem presença contínua e confiança de longo prazo aumentam as chances de serem escolhidas quando esse momento chega.
3. As redes sociais não morreram — e dominam o nosso cotidiano
As redes sociais continuam vivas, independentemente dos anúncios sobre o “fim do social”. É o que mostram os dados. O tempo médio gasto semanalmente com redes sociais e vídeos curtos chega a 13,5 horas no mundo. É mais do que TV aberta, streaming e rádio somados. E entre a geração Z e consumidores da América Latina, o tempo é ainda maior.
Mas uma coisa realmente mudou – o uso das redes sociais. Postar, comentar e fazer novas conexões perdeu espaço para o consumo passivo de conteúdo, especialmente para preencher o tempo livre. As plataformas se consolidaram como grandes hubs de entretenimento, não mais como ponte para interação social.
Para o marketing, isso reforça o papel central das redes na disputa por atenção em 2026. Com menos produção ativa dos usuários e mais tempo de consumo, as marcas precisam competir pela atenção visual e cultural e não simplesmente tentar participar da conversa.
4. A Copa do Mundo vem com tudo — e o torcedor de 2026 foge do estereótipo
A Copa do Mundo de 2026 deve movimentar ainda mais investimentos do que os US$ 2,4 bilhões registrados em 2022. Ainda assim, estudo alerta que repetir estratégias do passado é um erro. O perfil do fã mudou e se fragmentou em diferentes grupos, com hábitos digitais diferentes.
Entre eles estão os “fãs devotos”, que vivem o futebol como um ecossistema social conectado ao gaming. Há também os “fãs em movimento”, que acompanham o torneio por highlights e redes sociais. Outro perfil é o dos “fãs relutantes”, interessados mais na dimensão cultural do evento do que no esporte em si.
O sucesso das marcas dependerá da capacidade de entender essas microcomunidades e ir além do jogo em campo, explorando territórios como cultura, entretenimento, viagens, moda e sustentabilidade.
5. A geração Alpha já tem 16 anos — e precisa ser levada a sério
Em 2026, os mais velhos da geração Alpha completam 16 anos, e o estudo alerta o erro de tratar essas pessoas como “mini–Gen Z”. Moldados pela pandemia e criados por pais Millennials mais atentos, esses jovens apresentam comportamentos próprios.
Eles influenciam decisões de compra desde cedo, compram online com frequência crescente e valorizam marcas respeitem a sua idade, com mensagens responsáveis e empoderadoras. O gaming é central em sua vida social, funcionando como espaço de conexão e criação coletiva.
Ao mesmo tempo, os dados mostram uma recalibração do tempo de tela. Muitos fazem pausas digitais e demonstram maior interesse por esportes, brinquedos e atividades físicas. Para 2026, vencerá quem entender essa geração como híbrida — digital, mas não exclusivamente online.
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